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Afinal: homem tem medo de mulher poderosa? Uma reflexão sobre os movimentos feministas e relacionamentos

 

Foto: Pinterest 

 

 Me considero feminista desde a minha infância nos anos 90. Eu era viciada nas Spice Girls e todo o discurso girl power que elas usavam em suas letras, roupas e em sua marca.

 Na pré-adolescência minhas heroínas eram as do anime Sailor Moon. Eu costumava me reunir com amigas pra dançar as músicas do desenho na hora do recreio e dar uns passinhos de distância de todos os garotos que a gente considerava imaturos e idiotas na escola.

 Com o crescimento do movimento nesses últimos tempos, nas redes sociais e fora delas, e tanta informação pertinente correndo por aí com a função de conscientizar até os mais desavisados, não há mais espaço para atitudes machistas, nem da parte dos homens e nem das mulheres.

 Nossa geração de mulheres - diferente das gerações de nossas mães e avós - cresceu sabendo que podia ser independente e que tecnicamente nos viramos muito bem sem que um homem precise protagonizar os nossos sonhos da casa própria.

 Porém, nessa altura eu me pergunto, como ficam os nossos relacionamentos afetivos afinal, se tanta coisa mudou na nossa cabeça e nas nossas atitudes? Será que o nosso feminismo não entra em conflito com algumas situações cotidianas dentro de um relacionamento?

 Esse texto não é sobre machismo!

 Atitudes masculinas que tiram o direito de uma mulher ou reprimem seu comportamento de alguma forma, são consideradas machistas e isso não temos dúvidas. O que quero trazer aqui são situações mais leves do cotidiano de um relacionamento, como por exemplo:

  • tudo bem se você deixar de passar batom vermelho porque seu namorado não gosta da sensação de te beijar de batom?

  • você pode pedir pra que o seu namorado abra aquele pote de azeitonas, mesmo sabendo que com um pouco mais de esforço você mesma conseguiria abrir?

  • tudo bem se sentir mais segura quando ele te dá a mão pra descer do ônibus ou te acompanha na rua?

  • você pode achar legal quando ele quiser abrir a porta do carro pra você, ou mesmo aceitar que ele pague a conta?

 De um lado, o feminismo pulsante correndo em nossas veias nos dizendo que não precisamos dos homens pra nada nessa vida. Mas do outro lado, sabemos o quanto queremos ter um homem especial por perto. E os relacionamentos afetivos ficam perdidos no meio desse percurso todo.

 Acredito que não: os homens não têm medo de mulheres poderosas. E entende-se por poderosas mulheres livres e decididas, que trabalham fora, cozinham em casa, lutam, fazem sua própria vida e sabem onde querem chegar. O que um homem pode ter medo na verdade, é perder o seu papel enquanto parceiro dentro do relacionamento.

 Faz parte do nosso processo de independência, poder ser "mulherzinha" também quando a gente achar que deve ser, estar aberta a dar e receber carinho, ser companheira, aceitar gentilezas, saber ceder de vez em quando pra agradar a pessoa amada - "hoje uso batom vermelho sim, mas amanhã ok - posso não usar".

 É difícil, mas o segredo tá aqui mores: equilíbrio. É ter a malemolência de conduzir o relacionamento sem se colocar como 100%-independente-não-preciso-de-você-sai-daqui - e ainda sem passar por cima de si mesma.

 Fazendo com que o outro se sinta querido e importante para nós, nos sentimos importantes e necessárias também. Concorda ou sem corda? Conversa com a gente e conta a sua opinião sobre esse assunto! (;

 


JULIANA BATAH

Oi, eu sou a Ju Batah! Tenho 25 anos e sou designer, ilustradora, webwriter e criadora do blog Vamos pra Vênus. Adoro falar sobre cotidiano e relacionamentos, e concluí que ninguém vive sem amor: principalmente o amor próprio!

 

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