x

Não seja a pessoa que você não quer na sua vida Você já parou para pensar que talvez esteja na hora de reclamar menos e agir mais?

 

 

Foto: betulvargun

 

Você tem mais a oferecer à vida,

E a vida tem mais a te oferecer

 

Eu sempre fui reclamona. Qualquer pessoa que me conheça por uma semana ou que me siga no Twitter pode atestar esse fato. E eu nunca vi muito problema nisso. Reclamar é terapia, eu pensava, enquanto chorava as pitangas em relação à fila do banco, à farmácia que não tinha o remédio que eu procurava, ao céu que não pôde se comportar por dois minutos e teve que chover enquanto eu estava na rua. Pois é, essa sou eu. Ou era, porque isso é algo que tenho tentado mudar.

 

O primeiro grande choque foi quando uma pessoa especial pra mim me disse que eu reclamava de tudo, parecia uma velha resmungona. Oras, eu meio que tinha aceitado isso (ser reclamona) como parte de mim, mas sabe quando algo parece simplesmente errado? Pareceu errado. Não casou com a imagem que eu tinha de mim, com a imagem do que eu queria para a minha vida. Depois, comecei a conhecer pessoas que não reclamavam muito da vida, ou reclamavam pouco. E elas tinham uma energia TÃO BOA. Claro, sempre tem aquela ideia de que se a pessoa sorri muito é porque deve chorar no travesseiro todas as noites. E eu sempre meio que acreditei nessa hipótese até não acreditar mais. Porque, gente, olha bem que absurdo dizermos que não há razões para ser feliz e sorridente nessa vida. Claro que há, meu Deus. Só que a gente tá muito enterrado na lama escura da autocomiseração para saber da existência de algo além da conta de energia que veio mais cara de novo e esse governo é uma porcaria mesmo.

 

Reclamar não é terapia. Não traz nada de bom, pra ninguém. É, antes, algo que contamina o ambiente. Observe bem o que acontece quando alguém reclama de alguém. Não fica uma vibe errada no local? Pois é. Quando reclamamos da vida, levamos uma nuvem negra de insatisfação para os lugares aonde vamos, incitando a nossa infelicidade no coração de outras pessoas. Ora, se a gente se esforça até para não passar uma gripe para o coleguinha (essas malditas mudanças de tempo), porque estamos passando algo tão pior, como energia ruim?

 

“Então quer dizer que é para a gente ser umas moscas mortas, agora?”. Não. Aqui eu não pontuo quando ligamos para a operadora que comeu indevidamente os nossos créditos ou quando temos uma DR com o nosso boy para revermos algumas atitudes que não estão legais. Isso tudo recai na categoria de “reclamar” com um objetivo, com a intenção de resolver algo. Falo aqui das picuinhas diárias que intoxicam o ambiente e tornam você – sim, você, esse amor de pessoa – alguém que ninguém quer estar perto. Ou melhor: só pessoas tão tóxicas como você vão querer estar perto de você, formando um ciclo vicioso de energia ruim bem difícil de quebrar. E, bem, como é sabido, nada que seja ruim vai verdadeiramente pra frente, porque as pessoas estão presas em coisas pequenas e se esquecem do que realmente importa. Quem quer viver assim? Acredito que ninguém.

 

Reclamar do tempo, do governo, do seu corpo, das pessoas não resolve absolutamente nada na sua vida. Já tomar decisões em relação ao que te incomoda, sim. Eu diria, inclusive, que ficar resmungando sobre as coisas é um obstáculo que nos impede de tratar as coisas que realmente nos incomodam. Ao invés de ficar reclamando que você é “gorda” e amaldiçoando todas as pessoas que comem demasiadamente e não engordam, porque você não toma uma atitude em relação a isso? Seja se aceitar como é, seja montar um plano para mudar a situação atual. São atitudes muito mais produtivas do que simplesmente despejar ódio em si mesma. O mesmo vale para as diversas áreas das nossas vidas. Se um relacionamento não funciona, o que você já fez para resolver o problema? Se uma pessoa te incomoda ou simplesmente é tóxica, porque você ainda está convivendo com ela? Se a conta de energia veio mais cara, o que você pode fazer para diminuir os gastos de sua casa? Vê? Reclamar é algo que praticamente substitui uma tomada de decisão nas nossas vidas. Parece ser muito mais fácil soltar algumas cobras e lagartos do que realmente modificar algo. E, verdadeiramente, é. Mas essa é uma vida que vale a pena ser vivida?

 

Eu repensei. E acho que, sim, há muitas razões para sorrirmos e sermos felizes. Se antes eu debochava de pessoas que eram risonhas e amigáveis, hoje eu tento ser assim. O sorriso já sai mais fácil, sem nenhuma razão importante necessária. O céu, a vida, o fato de que estamos respirando e podemos mudar, todos os dias, o curso da nossa história são razões suficientes para alegrar o nosso coração, todos os dias. Assim, deixo um último conselho, que eu mesma estou tentando seguir todos os dias: carregue consigo apenas o que for bom. O que for ou estiver ruim, conserte ou deixe para trás.  A vida é muito curta para se apegar ao que não nos serve e nos intoxica. Se mudarmos o mundo dentro de nós, mudamos o mundo lá fora também.


AMANDA ARRUDA

25 anos e taurina da gema. Mais perdida que cego em tiroteio, mas segue vivendo como se soubesse de tudo e não fosse cair no próximo buraco a qualquer momento. Gosta de perseguir as grandes (e pequenas) verdades da vida e depois contar tudo no seu blog.

 

Artigos Relacionados:

Uma experiência única que você nunca irá esquecer

Cumprindo metas e (não) comemorando vitórias.

Os melhores momentos do nosso ator favorito

OPS!

Estamos com algum problema de conexão!

Por favor, atualize a página ou tente novamente mais tarde.