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LAB arrasa com desfile democrático na SPFW TRANS N42 Ousadia, inclusão, música e muito estilo das ruas. Confira tudo o que rolou!

 

O segundo dia de SPFW terminou com o desfile e show do rapper Emicida, que tem a marca LAB com o irmão Evandro Fióti. Poderia ser apenas mais um desfile bacana pra conta do SPFW, se não fosse o fato dos irmãos darem ali um passo bem ousado: eles mudaram a estrutura social, pelo menos por uma noite, do SPFW.

 

Logo, na entrada, a gente já sentia uma vibe diferente, muito mais street style, muito menos alta costura e salto agulha! Mas vamos voltar um pouco no tempo para entender o porquê dessa mudança. Em 2011, há apenas cinco anos, um grupo de modelos negros se reuniu em frente à Bienal do Parque do Ibirapuera, para protestar por sua inclusão na moda.

 

 

A manifestação ocorreu no primeiro dia da São Paulo Fashion Week de Junho de 2011, “há cinco anos conseguimos garantir uma cota de 10% de negros e indígenas nos desfiles, mas esse era para ser só o começo. Agora pedimos o aumento dessa cota para, pelo menos, 20%. Exigimos essa mudança por uma questão de respeito ao negro, ao indígena e ao branco, pela diversidade", disse, na época, frei Davi Santos, que era diretor executivo da Educafro.

 

Se lá atrás, em 2011, essa era a realidade, a LAB, junto com os irmãos Emicida e Evandro, e com direção criativa de João Pimenta, levou para o desfile um casting de modelos diverso, chamando atenção da mídia nacional em 2016. 

 

No casting com pouquíssimos modelos conhecidos das passarelas do SPFW, e que privilegiou negros, gordas e quem mais evocasse a ideia de representatividade, na minha opinião pessoal, passa ao desfile uma ideia de normalidade. A população brasileira é composta por pessoas negras em sua maioria, e pessoas gordas também fazem parte da fatia populacional expressiva. Esse grupo "diverso" tem poder de consumo, então foi maravilhoso ver uma passarela composta por pessoas, uma passarela normalizada, sem descriminação. Havia modelos magros, gordos, negros, asiáticos, brancos, pardos. Assim como é composta nossa população! E isso foi emocionante de se ver. A sensação que estávamos num ambiente completamente novo, foi inevitável!

 

 

 

A história da marca começou de forma despretensiosa, apenas para levar o selo Laboratório Fantasma, para promover artistas de rap e hip/hop. Depois, foi criada uma linha de camisetas para vender nos shows, com frases de suas músicas.

 

A coleção para o desfile foi feita em conjunto com João Pimenta, e o ícone da coleção é um samurai negro, chamado Yasuke. Não se sabe muito sobre sua história definitiva, mas se diz que era um moçambicano treinado como samurai a cargo de um mercador indiano. A partir daí, João decidiu usar motivos africanos, mas em formas japonesas, amplas e com volumes localizados, como capuz, obi (o cinto amarrado) e saiões. As cores preto, branco e vermelho predominaram na passarela.

 

As emoções desse desfile foram muitas: Emicida cantou durante o desfile, sentado ao lado do ícone Constanza Pascolato, empresária e consultora de moda. “Hoje é o dia da favela invadir o fashion week”, palavras de Emicida, diante do público extasiado. 

 

 

O público do desfile também era diferente: não se via mais aquela plateia quase totalmente composta de tom de pele europeu que predomina no SPFW. Ali na platéia o que se via era uma galera mais diversa, com gente de todas as tribos, a galera da comunidade, a galera das ruas, a galera da imprensa, alguns ícones fashion e muita gente a fim de fazer história!

 

Fotos: Fotosite

 


CORRA JU CORRA

Juh de Oliveira, Ama POPCulture, Moda, Arte e educação! Tudo isso com boa comida e um bom vinho. Mora em São Paulo e jura que um dia vai aprender a se maquiar.

 

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