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Como dizer sim para nós mesmos Porque não há nada de errado em se colocar em primeiro lugar

  

 Foto: Charlotte Robin

 

Eu sou uma pessoa extremamente responsável em inúmeras esferas da minha vida. Eu raramente me atraso ou deixo de fazer algo que prometi a alguém que faria. E se isso acontecer, sempre há uma razão aceitável por trás, que atrapalhou os meus planos e fez com que eu não cumprisse a minha palavra. Eu considero muito seriamente todas as promessas que eu faço e compromissos que firmo. Não gosto de dar pra trás e tento sempre, ao máximo, mesmo que tudo ao meu redor esteja em pedaços, entregar o que quer que eu tenha dito que ia entregar. O que é estranho, no caso, é que quando se tratam de compromissos comigo mesma, eu não tenho a mesma atitude.

 

Quando a coisa é pra mim, eu enrolo. Eu deixo pra depois. Eu postergo. Eu faço de qualquer jeito. Eu ignoro. Eu desisto. Deve haver, em algum lugar da minha memória, uma sala entulhada com todas as coisas que eu sempre quis fazer, todos os hábitos que eu sempre quis integrar na minha vida e não fui capaz de levar pra frente. A dieta saudável que eu não segui, o exercício físico que deixei de lado, a língua que eu queria aprender e tive preguiça. Inúmeros projetos – inacabados, esquecidos, deixados pra depois, deixados pra nunca. Impressionante como dizer não ou desapontar os outros é superdifícil, enquanto me desapontar é algo que eu me permito fazer diariamente.

 

Vi em algum lugar que toda vez que você deixa de fazer algo bom pra você – como, sei lá, comer algo saudável ou investir em algo que você quer fazer – você desce um degrau na escadinha do amor próprio. Porque, obviamente, você não está se amando. Até porque a gente não quer chatear as pessoas que a gente ama – nós não queremos que elas achem que não nos importamos ou que não damos a mínima. Então por que conosco seria diferente? Porque não nos preocupamos em não nos decepcionar, deixando de levar para frente as coisas que são importantes para a nossa felicidade?

 

Há diversas possibilidades. Há, claro, a preguiça. Porque fazer algo que eu não sou obrigado a fazer? Que é só pra mim? Pois bem, aí que nos enganamos. O nosso compromisso com nós mesmos é o mais importante de todos. Ok, não há testemunhas além de nós mesmos, porém ele não deixa de ser importante, não deixa de ser extremamente necessário. E sabe o porquê? Porque quase sempre esses compromissos são coisas que ninguém pode fazer por nós. Ninguém pode beber água por você, comer mais saudável por você ou decidir aprender francês por você. Tudo depende da sua iniciativa e vontade de seguir em frente e se você não faz isso, ninguém fará.

 

Há também a falta de tempo. “Nossa, mas como eu vou fazer isso, não tenho tempo, só tenho vontade de dormir quando chego do trabalho, não dá”. Olha, eu tô escrevendo esse texto depois de tomar meu banhinho, às 21h (o que pra mim é bem tarde, já que sou das que dorme cedo) e digo a vocês: o tempo não é o problema. E, mesmo que seja, isso só significa que você está dizendo sim demais para as outras pessoas – e muitos nãos para você. Muito cuidado, porque é como eu disse mais acima: ninguém corre atrás do que você quer pra você, mas quase sempre as pessoas conseguem se virar sem mais uma mãozinha nossa. Para ajudar os outros, é necessário se ajudar primeiro. Lembra no avião, quando eles dizem que em caso de emergência a gente tem que colocar a máscara primeiro em nós e depois na pessoa ao nosso lado? Pois é. Primeiro você. Sempre.

 

E, embaixo de todas as inúmeras desculpas que eu poderia pontuar aqui, há a falta de amor. Conosco. Com nosso corpo, com nossos sonhos, com a integridade da nossa alma. Cada não que nos damos é um desamor que plantamos. Cada sonho não levado em consideração é uma semente de amargura que mais tarde florescerá em um “não faço nada direito” ou “minha vida não vai pra frente”.

 

E, infelizmente, nós temos que admitir que os culpados, de verdade, somos nós. Se a gente não tem uma saúde legal porque vivemos comendo besteira ou estamos infelizes com alguma situação, quase sempre, temos nossa parcela de culpa. Culpa por ignorar a nós mesmos. Por nos deixar de lado. Por não nos amar.

 

Como fazer diferente? Eu não faço ideia. Eu vim aqui hoje só para colocar essa minhoca na cabeça de vocês. Jogar esse papo reto. Inquietar suas mentes. E plantar uma semente: a do autoamor. Deve ser a única saída, mas ainda estou tentando. Quem sabe onde ele pode me levar, não é?

 

 


AMANDA ARRUDA

25 anos e taurina da gema. Mais perdida que cego em tiroteio, mas segue vivendo como se soubesse de tudo e não fosse cair no próximo buraco a qualquer momento. Gosta de perseguir as grandes (e pequenas) verdades da vida e depois contar tudo no seu blog.

 

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