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A vida e seus brindes Uma reflexão sobre como devemos aceitar tudo o que a vida nos dá, seja bom ou ruim

 

Foto por: Lovers In a Library

 

Queria ter ganhado isso da vida,

mas ainda não foi dessa vez. 

 

Não sei vocês, mas uma das minhas maiores dificuldades com a vida é esse negócio de que as regras mudam o tempo todo. Parece que havia sido ontem que eu estava montando uma rotina superzen, acordando mais tarde, tomando café de boas enquanto me atualizava nas minhas leituras. Agora eu estou acordando às 5h30, chegando em casa às 20h e vivendo uma vida louca, no entendimento geral do termo. Tudo isso é complicado e duro com pessoas como eu, que gostam do conforto do planejado, de saber que ônibus vai pegar amanhã ou o que esperar do dia. O caos, o desconhecido, o revolto mar da vida me assusta.

 

Só que: não dá para gritar para todo mundo ficar quieto, enquanto você tenta organizar cada aspecto de sua vida. Não dá para parar. Simplesmente temos que seguir o fluxo e tentar equilibrar as xícaras enquanto corremos de um lado para o outro. E isso não precisa ser uma coisa ruim. É difícil pensar assim – eu bem sei – mas temos que desistir um pouco da ideia de ter controle sobre tudo e aceitar que algumas coisas não estão sob a nossa jurisdição, não importa o que você faça (uma dica: a gente tem controle sobre quase nada, só pra você saber). Você pode até andar com um guarda-chuva todos os dias, mas ainda haverá aquele dia em que você o esquecerá no carro e será surpreendido por um chuvarada não-prevista. Você pode sair no horário de sempre e pegar um trânsito tremendo e se atrasar porque alguém bateu em um poste no seu caminho pro trabalho. Você pode comprar pizza na pizzaria de sempre, mas um dia ela pode vir toda errada, queimada ou crua. Você não tem muito controle sobre vários aspectos da sua vida e de nada adianta ficar se estressando e tentando descobrir o que você poderia ter feito para que tudo fosse diferente.

 

Porque eu te digo agorinha: nada. A vida nos dá o que a vida nos dá e não nos cabe ficar tentando controlar seus aspectos. Claro que temos reações possíveis para determinadas ações, mas não podemos controlar os resultados. Podemos esperar por resultados, mas não controla-los. Há milhares de incógnitas inclusas nessa equação de sei-lá-que-grau que é o nosso cotidiano e você não é responsável por 1% delas.

 

Estou aqui dizendo que não devemos correr atrás do que queremos? De jeito nenhum. Acho que perseguir nossos sonhos é a própria razão da vida. Mas não faz sentido ficar se julgando (e condenando) toda vez que algo não sai de acordo com o esperado, porque, amigo, essa é apenas a vida sendo a vida. Ela faz o que ela quer e não te consulta. E nesse drama todo você tem duas opções: ou você aceita o que a vida te dá de braços abertos (pelo menos por hora) ou reclama, reclama, reclama (e aceita igual, porque não há lá muita alternativa).

 

Estou tentando, todos os dias, ser a pessoa que tenta e aceita e tenta e aceita e tenta e aceita. Acredito que um dia a vida vai entender o que eu quero e vai me dar. Por enquanto, eu me divirto com os brindes.


AMANDA ARRUDA

25 anos e taurina da gema. Mais perdida que cego em tiroteio, mas segue vivendo como se soubesse de tudo e não fosse cair no próximo buraco a qualquer momento. Gosta de perseguir as grandes (e pequenas) verdades da vida e depois contar tudo no seu blog.

 

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