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Ode à casinha A casinha é um santuário e decidi homenageá-la

- Foto: Nylon Pinksy -

Sabe quando a gente queria crescer pra ter um emprego (argh!), casar (e daí a gente descobre que nem todo mundo vai/precisa) e ter a nossa própria casinha? Pois é, dessas coisas todas, a mais maravilhosa de todas é ter a sua própria casinha. Não me levem a mal: casar é mara e ter que trabalhar – bem, não entremos nesse mérito – mas, gente, ter um lar pra chamar de seu: nada se compara.

Tenho essa epifania enquanto me encontro sentada, enrolada numa toalha, no sofá da minha casinha, que eu mesma escolhi com o meu marido. Tem uma fritata que eu mesma fiz (e que ficou maravilhosa) na bandeja em cima do pufe, bem como coca-cola e oreo – porque cheguei esfomeada do trabalho. A TV está ligada num programa qualquer e, na casa de qualquer outra pessoa, eu já teria escutado 859 opiniões sobre o que eu deveria fazer ao invés disso (ou como eu não deveria fazer o que eu estou fazendo agora mesmo), mas na minha própria casinha tudo o que eu escuto são os passarinhos e o barulho de um ou outro cachorro latindo na rua. É como o paraíso, só que na Terra e a alguns ônibus de distância da maioria dos lugares para onde eu vou.

Moro meio longe para qualquer padrão e nunca tinha percebido que amava tanto meu cantinho até alguns meses atrás, quando comecei a observar alguns comportamentos meus. No fim de semana, eu simplesmente quero ficar aqui, limpando, cozinhando, assistindo às minhas séries, jogada no sofá e lavando as roupas que se acumularam. Durante a semana, quero correr do trabalho o mais rápido possível para chegar na minha casinha e aproveitar o meu bem, o nosso cantinho, a nossa rotina. Simplesmente amo meu cantinho e não é pra menos, já que ele me recebe tão bem todos os dias, sem pontuações, sem complicações, me aceitando por inteiro, como eu sou.

A casinha é um santuário. Só entra quem você quer. Lá você está protegida do mundo e de todas as porcarias que acontecem nele. É só você, sua cama e seu Netflix. Você pode andar nu, queimar o ovo ou deixar suas esponjas de lavar prato federem: ninguém vai te julgar. A sua casinha (diferentemente da casa dos seus pais, que era sua, mas na verdade, não) é um lugar onde você está livre dos julgamentos externos. É um lugar para um break do mundo, coisa que todos nós estamos sempre precisados nos dias atuais, onde as opiniões e julgamentos são jogados nas nossas caras, o tempo todo, queiramos nós ou não.

A casinha é também onde temos a oportunidade de exercer a nossa forma de ver e entender o mundo. Podemos separar o lixo, juntar óleo em garrafa pet, tomar nossas medidas para economizar água e energia, ter nossos próprios temperos plantados numa hortinha, usar apenas produtos de limpeza feitos em casa, pintar as paredes de rosa, só comprar orgânicos e qualquer outra coisa que nos dê na telha, sem pedir aprovação para ninguém. Podemos nos expressar, como nós somos, e assim nos descobrirmos e nos desenvolvermos como pessoas. A casinha, gente. A casinha é puro amor.

Por isso, hoje eu quis fazer essa homenagem à casinha. Por ela ser esse amor tão grande nas nossas vidas, esse enorme (ou pequeninho, no meu caso) chinelo, para nossos pés (mentes, corações) cansados. Se você tem a sua, ame-a, cuide, aproveite. Se você não tem, trabalhe para tê-la (inclusive, única razão pra querermos trabalhar, porque O QUE É QUE A GENTE TAVA PENSANDO QUANDO A GENTE ERA CRIANÇA, MEU DEUS). Em todo caso, a casinha é essencial, porque só na casinha você vai respirar fundo, despir as máscaras e se sentir: em casa.

Juro, casinha, que esse ano eu compro a mesa e troco os armários, tá? Só continua me amando.


AMANDA ARRUDA

25 anos e taurina da gema. Mais perdida que cego em tiroteio, mas segue vivendo como se soubesse de tudo e não fosse cair no próximo buraco a qualquer momento. Gosta de perseguir as grandes (e pequenas) verdades da vida e depois contar tudo no seu blog.

 

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