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Às vezes, o inferno não são os outros Ninguém pode nos fazer sentir algo que não está dentro de nós

- Foto: Roza -

É o que a gente vê dentro de nós – não o que os outros veem do lado de fora.

 

Dia desses tive uma conversa super profunda com a minha amiga-guru. Amiga-guru porque ela está anos-luz mais adiantada do que eu na grande corrida da vida e eu, como retardatária, pego muitos atalhos quando ela divide um pouco de sua sabedoria comigo. A esses anjos das nossas vidas, meu sincero agradecimento. Daí que, dessa vez, eu estava reclamando de alguém que fazia me sentir insegura e nervosa e ela me lembrou de algo muito importante: ninguém pode nos fazer sentir algo que não está dentro de nós.

Pois é.

Isso é muito real e eu já havia tirado uma ou duas provas na vida que me mostraram que, com raríssimas exceções, a gente responde à uma situação com os instrumentos que nós temos dentro de nós. Entendam: isso não isenta a outra pessoa de estar sendo uma babaca. Ela pode, sim, estar sendo uma babaca com você, mas há um milhão de maneiras de responder a essa ação e a sua reação se configura de acordo com quem você é, agora (traumas e dramas inclusos).

Eu explico: fosse eu outra pessoa, nesse momento atual, talvez eu respondesse a alguém que questiona minha inteligência de forma condescendente, como quem sabe que, nossa, o problema realmente não é comigo. E seguisse a minha vida, sem deixar essa pessoa influenciar na minha rotina. Mas, de acordo com o lugar onde eu me encontro nesse sitcom que é a vida, eu não apenas deixo essa pessoa me afetar, como começo a pensar que talvez, apenas talvez, eu seja um pouco, sei lá, incompetente? Esqueça-se o fato de que sempre tive notas altas na escola e na faculdade e tenho um super senso de responsabilidade em relação às coisas que dependem de mim (e que envolvem outras pessoas, bom pontuar) que praticamente me impede de ser alguma outra coisa que não aquele ser humano chato que fica pentelhando as outras pessoas até algo ser entregue. Esqueça-se, porque meu estado atual simplesmente não leva isso em consideração – o importante, obviamente, é a opinião de alguém que mal me conhece e desconta sabe-se lá o quê que acontece nas sinapses do seu cérebro nas pessoas ao seu redor, sem dó nem piedade.

Outro exemplo muito louco: estou eu vivendo a minha vida quando, subitamente (mas não subitamente assim), começo a achar que o bofe não está me dando atenção suficiente. Começo a olhar estranho para seus modos, a ver suspeitas em tudo, a pensar que ele não me ama mais e que não me acha bonita. Sofro com isso por algum tempo (uns dois dias?) até perceber que quem não tá me achando bonita é, no caso, eu mesma - e não o bofe, que sequer abriu a boca pra falar qualquer coisa. Muitas vezes, passo por aqueles períodos em que chuto os cuidados pessoais para a casa do chapéu e, geralmente, fazer a sobrancelha e esfoliar as pernas já resolve meu, então, problema de relacionamento. Vejam mesmo vocês, que simples. Estava tudo aqui, dentro de mim.

Faz sentido? Pois é, não. Zero sentido. Absolutamente nenhum. Mas, claro, é o que acontece comigo, contigo, com todos nós. Todos os dias, nossos problemas mal resolvidos fazem com que vivamos em permanente estresse e nem sequer sabemos a razão, muitas vezes. Colocamos, claro, a culpa de como nos sentimos nas outras pessoas, mas pessoas, gente, elas fazem babaquices. Elas são meio imbecis, de vez em quando (às vezes, sempre), e você não precisa se sentir mal por conta da babaquice dos outros. Entendam: não estou aqui defendendo as palhaçadas que as pessoas fazem conosco. Estou apenas dizendo aqui que o que nós pensamos sobre nós mesmos não deveria estar condicionado aos achimos de outrem.

Quer dizer: se uma pessoa te trata mal todos os dias, você tem algumas opções. Você pode ignorá-la, você pode responder na mesma moeda, você pode tentar excluir aquela pessoa da sua vida, você pode tentar conversar com a pessoa e ver QUAL QUE É TEU PROBLEMA, BROTHER? O que você não pode é: se sentir mal/inseguro/o cocô do cavalo do bandido porque essa pessoa está sendo errada na vida. Você é muito mais complexa que uma opinião de alguém sobre você.

Separemos as coisas: a pessoa é otária e that’s all. Só isso. Arranje formas de lidar com a falta de senso dela e não uma forma de mudar você, para que ela comece a achar que você não é o que você já não é, de qualquer maneira (mas que ela acha que é, porque ela não tem qualquer senso). Faz sentido? Ao invés disso, tente identificar o que, dentro de você, te faz inseguro ao ponto de que a opinião de alguém seja mais importante que sua opinião sobre si mesmo.

Saiba que ninguém pode te obrigar a se sentir mal. Só você pode autorizar isso. E só você pode desautorizar também. É só começar a terapia – embora uma amiga-guru também possa ajudar um bocadinho, não vou mentir.


AMANDA ARRUDA

25 anos e taurina da gema. Mais perdida que cego em tiroteio, mas segue vivendo como se soubesse de tudo e não fosse cair no próximo buraco a qualquer momento. Gosta de perseguir as grandes (e pequenas) verdades da vida e depois contar tudo no seu blog.

 

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