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Estamos fazendo as perguntas erradas Ou: autoestima é ser quem se quer ser.

Dia desses estava assistindo Burlesque (aquele filme maravilhoso em que você tem a oportunidade de observar Christina Aguilera e Cher contracenando). No meio de todos aqueles decotes, lingeries, transparências, saltos, cabelos arrumados e maquiagens, tive um clique. De que, obviamente, a gente não precisa daquilo tudo pra ser feliz (ou mesmo bonita), mas que é tão legal, né? E isso, pra mim, foi estranho. Porque na minha cabeça, eu não posso conceber um mundo onde eu ligaria o suficiente pro que os outros pensam para sair de casa naquela produção.

Não me levem a mal, sou do time das que saem de casa com o cabelo que acordou e ainda não sabe muito bem lidar com o delineador – embora eu siga crendo que um dia chegarei lá. Tenho 0 problemas em repetir roupa, quase não uso maquiagem no dia a dia e minhas lingeries quase sempre respondem ao quesito praticidade. Não acho que ninguém seja menos mulher por isso – muito pelo contrário, por um tempo, até achei que eu era mais, pois não me importava com essas coisas e me sentia bem comigo mesma apesar disso tudo. É, burrice, eu sei, mas eu me sentia assim. “Nossa, tenho pena dessas amigas que só podem sair com maquiagem e cabelo feito. Pois eu saio do jeito que eu quiser mesmo”, eu pensava.

Foto por: Houston Roderick

Eu estava certa na parte que dizia que eu saía do jeito que eu queria mesmo, porque, afinal, há outro jeito? Entretanto, pena não é, de forma nenhuma, a palavra para se usar com alguém que se cuida. Se cuidar é maravilhoso e faz um bem tão grande que, gente, precisamos fazer mais isso. Eu não sabia, naquela época, que o mundo não se dividia entre as pessoas que se arrumam (e se importam demais com a opinião dos outros) e as pessoas que não se arrumam (e que dão a mínima pro que os outros vão pensar). Daí que eu até tinha meus momentos, mas não dava muita importância pra isso. Engano, eu sei. Porque tem coisa que não dá pra abrir mão e se sentir bem na própria pele é uma delas.

Sou defensora número 1 das sapatilhas, mocassins e rasteirinhas, mas convenhamos: nada nunca vai substituir a elegância de um sapato de salto alto. A bunda fica mais bonita, a gente fica mais poderosa, não tem muito o que discutir. Um rosto maquiado também não é um rosto lavado, né? Imperfeições escondidas, pontos fortes destacados, todo mundo fica mais atraente. Se cuidar é maravilhoso, dá aquele up na autoestima e deixa todo mundo feliz.

O que eu quero aqui pontuar é que o problema, obviamente, não é se cuidar. Mas porque você está fazendo isso.

O que eu quero dizer com isso? Que você deve se cuidar pra você. Não para os outros. O corretivo que você passa de manhã para esconder seus círculos arroxeados deve ser porque você se sente melhor assim e não porque ‘nossa, o que as pessoas vão pensar se me virem desse jeito na rua’. Se você compra uma lingerie bonita para usar, deve ser para você se sentir mais bonita e sensual e não porque ‘ai, gente, mas certeza que o bofe me deixa se me vir com uma calcinha bege’. Principalmente porque, convenhamos, fiz uma pesquisa rápida (não) e cheguei à conclusão que os boys dão o total de 0 importâncias para a cor da calcinha que você está usando. O jeito como você usa seu cabelo, a cor que você pinta, o corte que você dá: tudo deve ser por você, porque é seu cabelo. É seu corpo, é sua pele. E você deve se sentir confortável com ele. Você, apenas.

Daí você pode sair como você quiser. Na estica ou no melhor outfit ‘acabei-de-acordar-não-tava-afim’, você está confortável consigo mesma.

Autoestima é um troço complicado, mas acho que seguindo essa regra geral não tem erro: faça o que encaixa com você. O que parece certo pra você. O que te faz sentir bem, o que te faz sentir-se dona de sua própria pele, o que externaliza o que você tem por dentro. Tente cortar um pouco o ruído externo e ver o que VOCÊ acha bonito. E levar isso pro seu dia a dia.

Daí não importa se você está de cara lavada ou produzida para matar, você vai estar linda. E todo mundo vai ver – ou não. E tudo bem. Porque isso é só o extra, a pessoa principal já percebeu e tá lá, batendo palmas, feliz.

E essa pessoa, no caso, é você.


AMANDA ARRUDA

25 anos e taurina da gema. Mais perdida que cego em tiroteio, mas segue vivendo como se soubesse de tudo e não fosse cair no próximo buraco a qualquer momento. Gosta de perseguir as grandes (e pequenas) verdades da vida e depois contar tudo no seu blog.

 

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